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28/12/2012

um pouco tarde mas mesmo assim decidi analisar a mensagem de natal do primeiro ministro ou devo dizer do Pedro.
Realmente esta mensagem, é um choradinho como diz o PCP, mas de facto é um choradinho perigoso.
Desta vez tivemos uma primeira mensagem de Natal do Primeiro Ministro (PM) sobre o natal desta vez como pose PM e não como no ano passado, com a família e a mulher ao lado, a desejar-nos as boas festas. Eu até consigo perceber que o natal não é propicio a grandes elaborações e a grandes discursos de estado mas para todos os efeitos notei um discurso messiânico, um certo discurso baseado na fé, um optimismo despropositado e também um certo experimentalismo social e económico. Se repararem Pedro Passos Coelho diz ''nós vamos vencer, já estamos mais próximos da vitória, todos vão ser chamados a fazer sacrifícios e portanto ninguém escapa e todos vão ter novas oportunidades. Mas pergunto eu quais novas oportunidades??? Dá ideia que o PM fala de um mundo que por milagre há-de surgir dos escombros da economia, porque as previsões para o ano são más na matéria do crescimento da economia, as mais animadoras são do governo e mesmo assim é de uma recessão de 1%, e portanto o PM fala das novas oportunidades que aí vêm aparecer e depois diz coisas extraordinárias como ás incertezas da Europa, respondemos com as nossas certezas! Mas quais certezas pergunto eu! Ele não adiantou nada, o ministro das Finanças também não adiantou, aliás estes últimos tempos o MF, foi mais prudente ao dizer que não se responsabilizava com data nenhuma e com última análise nem com previsão. Portanto, à um tom messiânico na vitória que já esteve mais longe e que nós vamos conseguir, nessa certeza que vamos opor à incerteza da Europa  que vai garantir anos prósperos, numa altura em que já ninguém acredita nos esforços e sacrifícios que vão valer a pena em 2013, em que o MF veio dizer que em 2013, era um ano de forte carga de impostos, o que leva a dizer que este orçamento é de elevadíssimo risco, ao ponto da União Europeia tem um fundo de emergência de 180 milhões de euros porque considera que um orçamento baseado na receita pode não ser cumprido. E as incertezas da Europa que ao qual o PM diz que nós devemos responder com as nossas certezas, são as incertezas que nos afectam directamente, portanto não temos certezas nenhumas. A lacuna deste discurso, é que este discurso messiânico não se baseia em facto nenhum, nem em nada! Ninguém será deixado para trás diz o PM, pois ele devia ter a noção que já muita gente foi deixada para trás, e que 2013 vai deixar muito mais gente para trás, e que essas pessoas não vão usufruir de novas oportunidades, porque se virmos os números e relatórios, toda gente sabe, nomeadamente no desemprego que é uma das chagas de Portugal, não há um único estudo que não aponte para uma subida e manutenção do desemprego, nos últimos anos, um desempregado de 50\ 60 anos não vai ter uma nova oportunidade, essas pessoas vão ser lançada para a miséria, não tendo hipóteses e muito menos novas oportunidades, só mesmo neste mundo fictício que o PM vive. Por isso é que concordo com alguma das críticas feitas pela oposição, quando diz que ele vivia num mundo imaginário, descolado da realidade.    
 Dá ideia, de facto, que este Governo não tem contacto nenhum com o povo a que se dirige. Talvez por isso apareceu uma mensagemzinha no Facebook do Pedro. Não é a primeira vez que o primeiro-ministro tenta essa encenação de proximidade com os portugueses. Já a seguir ao anúncio da TSU, nós fomos brindados com uma mensagem do Pedro, em que também nos tratava por Amigos. Desta cena, eu penso que isto é perigosíssimo, é degradante, pois eu nunca pensei ter um PM, uma pessoa que não saber escrever português. Pois a mensagem de natal, é uma verdadeira redacção de 4ª classe, com erros de concordância. Não se admite num PM. Não sei quem é que escreveu aquilo, se foi ele próprio, se foram os assessores, ou quem quer que seja, mas aquilo não pode ser apresentado em nome de um PM. Não Pode! Ainda hoje estava a ver a mensagem de natal no jornal público com correcções feitas pelo próprio jornal entre parêntesis  porque de facto, havia erros de concordância tremendos.  
Em 2º lugar, este exercício de proximidade connosco é um envolvimento que esconde uma enorme indigência política e intelectual, a verdade é essa. Isto é uma degradação das instituições, dos cargos políticos. E, por isso, é que eu considero isto perigoso. E ainda por cima não tem lógica absolutamente nenhuma porque não corresponde a nada que o primeiro-ministro e os seus acólitos dizem.

Bem, poderia continuar, mas acho que é melhor ficar por aqui, pois nunca se sabe...